quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O ARTESÃO DE SONHOS E DE ABISMOS



... costurei máscaras
brancas e negras para me adaptar
ao baile sapiens,

desfilei-me ora como anjo,
ora como herói, ora como mocinho, ora como
vilão, ora como um dom ruan a conquistar e a foder
as mocinhas;

sim, fui indolente
e não temi céus nem infernos, luzes nem sombras,
jardins, salas ou leitos de concupiscências
escondidamente vazias:

tornei-me
assim um transeunte entre as senciências
do ser, ora frio como o pólo norte, ora foro como
o sol que queima.

donde posso
afirmar que, se tudo vi e se a tudo do
ser eu conheço, dele nada mais pode realmente
me surpreender!