quinta-feira, 19 de outubro de 2017

SÓ EU AINDA TENHO FORÇA PARA TE AMAR!



... ela chegou
um dia como quem não queria
absolutamente nada,

falava
do amor ao ermo, do querer
pelo sem imagem e pelo
não-ser,

dizia
poder amar com o espírito
e desprezar totalmente
a carne

e a tudo dizia
e sobre tudo dissertava com extrema
eficácia e cores luziadas,

de modo que
convenceu um cão, acostumado
a andar junto às carniças
da estrada:

às mesmas carniças
onde ela caiu com amantes pobres,
podres e velhos em masturbações

desvairadas!

CASTIÇAIS, PRECES E QUEDAS



“Embora as religiões
preguem a paz e a igualdade
entre os homens,
e esses a seguem quase
que cegamente,

como explica
os problemas sociais
e os conflitos
gerados na humanidade
Thor Menkent?“

Eu diria que,
no verbo regozijado,
em repetidas orações aos templos,
ou mesmo a quartos
fechados,

não há como se expurgar
a cerniente abnomalia
da qual fomos
gerados;

e, muito menos,
como legitimar qualquer causa
para os devastadores efeitos
da fausta senciência
sapiens.

ANGÚSTIA E PAZ



... e me deixarei
assim:

desterrado
em meio a intrínsecas
tempestades

– de sonhos, caldas
e quedas –,

provocadas
por meus cernientes
fantasmas;

mas com uma
singular, angustiosa
e silente
paz

a me habitar a alma
devastada.

MUITO ME HONRA O TÍTULO QUE ME DERAM: O CÃO NIILISTA!



… sim,
eu me assumo um niilista cão
com minha abnormal
condição,

mas,
como outros poetas e nobres
menestréis soberbos eu poderia também
me vestir de ajnos,

seduzir
mulheres virgens, solteiras
e também as já
casadas,

candidatar-me
politicamente e,com alvo discurso,
meter a mão na grana
adoidao,

acender
os faróis focálicos e, às caladas
e às escondidas, agir como um libertino
selvagem,

dar bons conselhos
sobre respeito, moral e ética
e, por detrás do palco me masturbar,
denotativa e conotativamente,
ilimitado;

sim, eu poderia
vestir-me anjo e fazer tudo isso
que eles fazem; mas eu faço tudo isso
que eles fazem, sendo mesmo

apenas um cão sapiens!

A CABANA QUE CONSTRUÍMOS AINDA EXISTE



… antes, sim,
considerava-me a mim mesmo
como o magnífico criador
e contador de estórias,

que me davam
lougros em ouros, jóias e xanas
sensuais e retóricas;

mas hoje
já não quero muito mais
dessa coisa
toda,

quero apenas
o inverno de volta, a desértica cabana
de volta,

uma cadulcifólia
ao patio da frente, um pouco de água,
um pouco de comida que apenas
me baste para o ultimo
açoite hiemal

e um pedaço
de estrela quebrada no céu,
para que, quando a olhar, eu sempre
me lembre dela!



SOU VOSSO SEMELHANTE!


UM AMOR E UMA LUTA TITÂNICOS!




HÁ ROSA E ROSAS!





MUITO ME HONRA O TÍTULO QUE ME DERAM: O CÃO NIILISTA!



… sim,
eu me assumo um niilista cão
com minha abnormal
condição,

mas,
como outros poetas e nobres
menestréis soberbos eu poderia também
me vestir de ajnos,

seduzir
mulheres virgens, solteiras
e também as já
casadas,

candidatar-me
politicamente e,com alvo discurso,
meter a mão na grana
adoidao,

acender
os faróis focálicos e, às caladas
e às escondidas, agir como um libertino
selvagem,

dar bons conselhos
sobre respeito, moral e ética
e, por detrás do palco me masturbar,
denotativa e conotativamente,
ilimitado;

sim, eu poderia
vestir-me anjo e fazer tudo isso
que eles fazem; mas eu faço tudo isso
que eles fazem, sendo mesmo
apenas um cão sapiens!

ANTES QUE NOS ANOITEÇAMOS NA ETERNIDADE!



47, queres?

Então te aproximas,
luta, pega a meu corpo, a meu coração
e a minha alma,

porque,
como tu e como tudo
que ná neste mundo e nesta
estrada,

eu envelheço
e perco a força para me dar
com as coisas do mundo, e perco
as forças para me dar
comigo mesmo,

e perco a força
para te amar como queres e mereces,
e, se não me amares a teu modo
e independente de mais nada,

em breve
anoitecerei, desetificado, e não terei
sido para ti mais que uma flor
artificial amarelada

ou mais um fantasma,
mais um estrangeiro como outro qualquer
apenas,

que passou
por tua vida, sem deixar marcas
ou rastros!


OBVIEDADE!


… se os anjo forem isso,

lindas,
meigas,
gostosas,

com peitos rijos e lindos,
com pernas grossas e bem
delineadas,

com bundas perfeitas
 e deliciosas quando comem
uma cacdinha enfiada

e com uma
boceta que nos dá o mel mais
delicioso depois de um estrelado
orgasm,

eu garanto
que os deuses correrão gravíssimo

perigo!

EU E MEUS VERSOS CANSADOS!



… vedes
como meus versos andam
tão secos e cansados
___ como eu?

Vedes
que mal consigo mais falar
da esperança, da ilusão, da fantasia
___ e do amor aos espetáculos?

Vedes
como tens chorado silente,
com seus medos, degredos e segredos
___ este palhaço?

Acaso
não percebestes que meus versos,
como eu, estão acabados e apenas
esperando o momento
em que a morte
___ lhes chegar?

PERDEMOS, MAS NÃO TEMOS CULPA!



Ana,

que culpas tiveste
de ser uma humana jogada
no meio dessas coisas reinauguradas
e loucas?


Que culpa
tenho eu, niilista sem alvoradas,
de me ter sido jogado, do mesmo modo
abnormal, no meios dessas coisas
reinauguradas e loucas?

Que culpa
têm nossos semelhantíssimos
como nós, com seus Daseins, tendo de lidar
com o aí e no meio dessas coisas
reinauguradas e loucas?

Ana, que culpa
temos de termos comido, bebido,
extasiado-nos e gozado com as imagens
do mundo, se é para isso que entre
elas fomos jogados?

Nenhuma, Ana,
mas se me permites e se ainda,
de alguma forma, podes
me ouvir,

devo dizer
que creio que, após esta passagem,
estaremos muito mais espiritualmente
preparados para um amor sincero,
sublime, lear e sem mundanas
imagens!



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A TRAMA É ASSIM


A BELA DISSIMULADA



... havia
em suas mãos postas
às costas algo que
não vi,

havia
algo em seu olhar
disfarçado que
não vi,

havia
algo em seu amor
tantas vezes perjurado
que não vi;

quando
me dei conta,
era tarde demais,
havia-me deparado de frente
com seus precipícios
e sua alma
negra!

A SOMBRA DE UM CÃO PERDIDO



... como
fiapos de luzes
que nunca vencem
às sombras,

como
flocos de neve
que se derretem ao verão
antes de caírem
ao chão,

como passarinhos
que quebram suas asas,
quando se atrevem a pousar em telhados
de argilas,

como anjos
que amasm, ardems e fodem
escondidos nas
trevas,

como qualquer
sapiens, enfim, que tem dois cus,
um na bunda e outro
na boca,

eu sou um cão,
mas sou um cão por
demasiado louco,
baby!

O SONHO DA MEIA-NOITE



... tive um sonho
estranho essa noite,

o sol desaparecera,
extinguira-se por completo,

os palácios
dos sapiens-rei ruíram-se,
desabaram por completo,

também
já não havia lua, estrelas
nem uma vela qualquer para
se acender;

ela se
ia indo em meio às trevas,
estiquei meus raios e trovões.
que saíram sem destino, sem roteiro
e sem mais poder
alcançá-la.

TRÁGICA SOLIDÃO



... minha solidão
é uma solidão diferente,
não é desse tipo de que se fica
sozinho em algum canto
ou recanto escuro
e escondido;

minha solidão
é do tipo mais cruel, mais angustiante,
mais doloridae e mais
sofrida;

minha solidão
é dessas que se dá até em meio a uma
miltidão de anjos, de borboletas ou de sapiens
coloridos,

porque
à minha triste solidão nem se quisesse
evitar conseguiria,

porque sua causa
e a razão de meu viver, de meu sonhar
e de meu voar foi de mim tirada
para a eternidade não está

mais aqui!

ESPAÇOS E TEMPOS HUMANOS



... o espaço
e o tempo são convencionalmente
humanos

e não espelham
sequer razoavelmente um pouco do caos
que sempre houve e haverá
no tecido cosmológico
todo.

São como
ingredientes indispensáveis
para se fazer uma deliciosa e vastamente
colorida torta,

onde possam
colocar sabores e dissamores,
amores e dores, pazes e guerras,
luzes e sombras, desejos e porras
e mais o que quiserem;

mas, como de todo
bolo, depois de pronto, do caos
só podem ver também a coisa que lhes
pareça inteira,

não lhes sendo
mais permitido observarem os reais
e naturais componentes

da torre!

TUA LUZ PAIRA SOBRE MEU ABISMO!



... por que,
às vezes, nos enganamos
tanto?

Por que,
às vezes, sentimos tanto amor
onde nos dão tristezas, amarguras
e dores?

Por que
tentamos plantar um jardim
de coloridas flores onde o vazio
já definitivamente
se assentou?

Por que
foi preciso chegar a tua morte
para que tua luz incindice
sobre meu terreno

abismo?

NÃO TEMAS O ERRO NEM A DÚVIDA!



Por que ter dúvidas
se, cerniente e abnormalmente, é-nos impossível,
de nosso centro universal,
errar?

A escolha,
de toda forma, tem origem e consequência
no EU.

E apenas isso
"Origem" e 'Consequência" é fato.

O que seja certo
ou errado, verdadeiro ou duvidoso
é sequer ilusão de nossas abnomalias
que,

muitas vezes,
teimam inconscientemente se desvestir
ou se desprouver do que lhes

é inalienável!

EU DEIXAREI NOSSA LUA GRAVADA NA POESIA!



... não,
não agora neste vasto mundo
lotado de esplêndidas imagens e desejos
que levam a lugar
algum,

mas quando
vier a noite mais escura
a mais longa e fria, aquela que infinitamente
nos dure,

é que verão
ao céu nossa comum lua, de um modo
tão belo e puro

que se farão
êxtases aos olhos, aos corações
e aos corpos,

e sob ela
se amarão em completa
liberdade, explodindo em fluorescente
loucura!