sábado, 24 de junho de 2017

NESTE AMOR NUNCA HOUVE PIEDADE!


ANDARILHA DE LUZES


O PRÉDIO VAZIO



... pediste
que não me desistisse de ti,
em tua iminente
partida,

e dizias
que eu poderia, que eu era forte,
que eu era o mensageiro
eternamente
presente;

mas confesso
que não sei se consigo,
quando aí neste mundo que ainda
desconheço,

a quantos deuses
e a quantos demônios eu teria
de vencer para te achar e te curar
do outro lado!

TEUS ANJOS NÃO VIRAM NADA!



... massa
de tomate nos peitos,
admirando um pau duro na web can,
uma faca de serra passando
por ali como se cortasse,

um estranho
orgasmo fantástico;
o cão, vendo e gemendo,
masturbava-se;

escondida
e silentemente chorava
a humana imanência e mortalidade
que ali se revelava

à luz
de estranhos desejos
e insanos coágulos

fermentados!

NOITES SEM LUAR V



... a garçonete
me apresentava o cardápio
e eu olhava seus peitos
e sua bunda,

a garçonete
me perguntava o que eu queria
comer e eu queria comer seus peitos
e sua bunda,

a garçonete
me perguntava se estava tudo
bem comigo, estranhando alguma
coisa,

e eu queria
estar bem mamando naqueles
peitos e naquela
bunda,

a garçonete,
enfim, pergutou-me se eu era
o Thor Menkent, escritor que filosofava
sobre o mundo

e, naquela hora,
nada me interessava mais
que seus peitos

e sua bunda!

NOITES SEM LUAR IV



“Tudo bem,
nobre poetisa, se dizes que gostas
de alguns de meus mal
traçados versos,

sentas-te aí
no sofá e folheia estas estranhezas,
e lê aqueles que te
aprazam”;

disse-lhe
o desértico niilista,
enquanto se posicionava sentando-se
em uma cadeira
à frente

– sedenta, dissimulada
e estrategicamente –,

para reparar
suas belas curvas, seus rijos seios,
suas bem torneadas
coxas

e sua suculenta
e deliciosa vulva, contida
naquela minúscula
calcinha.

NOITES SEM LUAR III



... nas restantes
luzes dos sapiens e também
nas luzes crepusculares,

as sombras
do que foste ficou
estratificada,

como um
aviso de que tudo
que seja bom ou ruim
e tudo que seja verde, azul
ou preto

uma hora,
como tu partida e esta
pedra que por aqui perdida fica,
naufraga!

NOITES SEM LUAR II


NOITES SEM LUAR


O PESO DO MUNDO


... cansado
de sonhar, de amar, de chover,
de cair e de chorar,

coloco-me
ao fim de dezembro,
com o indefinível e amargo sabor

do deserto!

ATÉ NOSSAS ILUSÕES PERTENCEM À ABNÔMALA PONTE



... antes
de tudo do Ser, dele
é o nada que
___ havia;

durante
a estada do Ser é o nada
em que ele fantásticas coisas
___ inaugura;

após o Ser,
o nada de antes dele,
como se ele nem se tivesse havido,
___ que se perpetua!

DEVO LEMBRAR-TE!



... cuidado
com tua vaidade
e com tua luz,

venta
e chove muito nesta vã
vida;

e o pior:
o combustível sempre

acaba!

DESTA VEZ, COM A MORTE, FODEMO-NOS DE VEZ!



... meus sonhos
se secaram, meus lábios
___ não beijam mais,

meu pau
virou um instrumento
___ utilitário,

tenho
tormentos e febres que
___ ninguém entende,

até minhas
palavras e salivas se tornaram
___ lágrimas;

e eu sigo,
fingindo viver e imaginando
se terei forças, como combinamos,
para te encontrar do outro
​​​​​​​___ lado!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXXVI


... pois tudo
cabe na poesia: a física, a metafísica,
a filosofia, a psicologia,

o sonho,
o dasein com seus conflitos,
os deuses a que amam,
as carnes a que se comem,

os amores
de que falam, os pensamentos
e as dúvidas que lançam,

as inconscistências
e as possibilidades de que falam,

a vida,
a morte e o completo andar
da ponte

e, por fim,
até o silêncio que, angustiadamente,
permitem-se!

E o mais importante: além de tudo isso é muito mais democrática, ao passo que a filosofia se tornou extremamente elitista, o que, por si só, prova sua completa ineficácia!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXXV



... a filosofia
é um desgaste ardoroso, rodeador
e desnecessário,

se refletirmos
bem, todo o pensamento sartreando,
heideggiano, shopenhaureano
nietzscheano

e todos os
demais, poderia ser resumido
em poucas laudas

ou em eternas

e consistentes poesias!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXXIV



... uma das
maiores estupidezes que
vi o ser fazer foi separar a filosofia
da poesia,

uma vez que
esta já estava contida
naquela

e uma vez
que esta não precisava se prender
em forma de versos, estrofes
e demais enfeites:

já passou
da hora de se reintegrar
o que jamais devia ter sido
desunido

e dar à poesia
seu amplo, libertário, ilusório
ou reflexivo sentido!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXXIII



... as pombas
continuam voando,

os anjos continuam
desfilando com seus corpos lindos
e suas asas em sonho,

as prostitutas
belas continuam fodendo
com inapagáveis
chamas:

oh, meu Deus,

e eu estou ficando velho!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXXII



... há uma idiota
simulação no que vemos do ser
por aí, como um todo, pois o ser é fragmentado
de acordo com sua fase;

antes de morrer,
alguns experimentam a relativa
e terrível apatia pela força, indolência
e coragem para sonhar,
amar e buscar.

Ou por acaso
já viram os papéis realizados
pelos velhos nas novelas, nos teatros
ou nos filmes?

Há beijos,
há sarros, há belas e eternas
estórias de amor, há sexo
selvagem?

E não,
não é discriminação,
é o real traço da ponte, feito
de modo inconsciente por todos
e pelos próprios velhos que compõem
as narrativas ou promovem

os espetáculos.

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXXI



... Platão estava,
de certo modo, com razão
ao falar da caverna,

mas com
a seguinte condição que
não viu à época;

dela
(da caverna) olhamos para
fora quando somos
jovens

e a ela,
já velhos e cansados, retornamos
para a brevidade de nossa velhice
sem mais sonhos

ou chances!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXX



... todo pensamento
filosófico não pode partir
do sagrado poder de escolhas
e de suas consequência,

os quais,
de fato, há;

mas sim
das imanências primitivas
que nos integram e nos impelem
ao caminhar

____ ego,
___ superego,
___ id
___ espiritualidade
___ e niilismo;

e sempre
com a premissa de que, seja qual
for o balançar da ponte, o lugar onde
cada dasein for jogado,

as dificuldades
ou facilidades encontradas por cada um
e tudo o mais que dele
se imaginar,

dentre todas
as imanências tem maior vigor
na função (concretizada pelo desejo)
de, não pelo amor, mas de sexualmente

se eternizar!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXIX



... e eis o calcanhar
de Aquiles do existencialismo,
que parece tratar o EU de modo superficial,
não observado sequer o grave
balanço da ponte

e a imanência
instintiva com que nascemos
para buscar (para perpetuação) o sexo
oposto;

e isso é que
torna sua questões tão parecidamente
sábias como banais, a ponto de a poesia
a superar, muitas vezes, para esclarecer melhor
algumas coisas desses balanços,

como genialmente
fazia Fernando Pessoa, Charles Bukoski
e tantos outros.

E, enquanto estão
pisando na maionese com o existencialismo,
alguns poetas vão revolucionando
o pensamento;

e o niilismo, devido
à sua friesa de análise,
queiram ou não, vai crescendo
como a mais completa de todas as filosofias
já confeccionadas pelo ser.

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXVIII



... na ponte existencial,
tudo balança e muitos questionamentos
se levantam,

desde
o antes do existir até as possibilidades
de o depois dele, e como supostamente sejam
tais possibilidades;

mas, para mim,
algo foi feito de modo a não ser
mudado, tudo e qualquer coisa que
se faça sobre ela

(o amor entre gêneros,
o sexo entre gêneros,
a conquista entre gêneros,
de modo que o EU sequer possa ser
bem analisado, mas tão somente, com menos
chances de erro, o DASEIN),

consciente
ou inconscientemente, visa a gozar
a vida com uma mulher

(e, do ponto
de vista da mulher, com
um homem),

durante o tempo
em que permanecer sobre o que

chamam de existência!

FILOSOFIA, FÍSICA, METAFÍSICA, TEOLOGIA E O NIILISTA THOR MENKENT XXVII



Todo esforço
parece vão como a própria
condição do ser:

a cada dia,
a cada ano, a cada século,
a cada pedaço de sonho
quebrado

– geração após geração –,

estamos perdendo
para o inexorável avanço, líquido
e espúrio, de nós
mesmos.

O DEFINITIVO FIM




Acho
que, desta vez,
não nos será
possível

exumar
da funda cova fria
ressurreição
qualquer

de nossas
ostensivas e oscas
fantasias,
querida.

ÀS VEZES, O SILÊNCIO FALA MELHOR



Seria bom
que, pelo menos vez em quando,
conseguíssemos guardar
nossos lumes verbais
em silêncio,

uma vez que,
postumamente, após o apagar
das fantásticas e aleivosas
fluorescências,

fica restado
– em ruas de pedras frias –
a grande verdade sobre a fome
por imagens, lascívias
e insânias do ego;

e, à alma vazia,
a angustiosa sensação
de que tudo não tenha passado
de vãs, vis e hipócritas
fantasias.

MORTE EM VIDA



Estar morto
é abrir gavetas
lotadas de imagens e figuras
carimbadas,

é pegar
de uma lapiseira
e foder as folhas brancas
com esplendes letras
alvissareiras,

é regozijar
horizontes multicores,
forças mitológicas e eterno amor
às famintas mariposas

que trepam,
às escondidas, com anjos decaídos
e com pirilampos de
paus duros.

Estar vivo
deve ser outra coisa
que contenham o doce sabor
das sombras e a sutil
leveza

das casualidades
alheias.

PERDIÇÃO



... o monstro
que amei não é para qualquer
um,

confesso
que, quando o conheci a fundo,
tive medo e receio,

mas aguentei
até que da pouca luz se fez múto
tombo e desventura
em pranto:

quando me dei conta,
o monstro, em tempos de um ano,
morreu

e, com ele,
inevitavelmente

me tombei!

OS CONDÔMINOS



... voos que podem
estraçalhar sonhos, asas
e psiqués,

trepadas
que podem destruir famílias,
casamentos e pessoas próximas
de bem,

falsas
fantasia e proezas que, ao fim,
monstram que não
se convém:

abutres
disfarçados de anjos
sempre esperam para devorar

as sobras de alguém!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

DE QUE É FEITO ESTE SIGNO?



... as pessoas,
no mundo, preferem ser
apenas alguma coisa
na lida,

alguma coisa
que mantenha calma
à superfície,

alguma coisa
que lhes dê a segurança
devida,

alguma coisa
que os façam se sentir
vivos na, que veem, real
física,

algumas coisas
que sejam um pouco menos
fictícias,

algumas coisas
que lhes evitem, até no amor,
grandes feridas:

eu prefiro
o mais que isso, talvez algum
impossível,

sempre
achando que faltam loucos
o suficiente para algum mergulho

mais atrevido!